quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Contemplando

 Diante de mim via sempre o Senhor...”
 (Atos 2:25)

...de acordo com a o texto acima, citado por Davi, é impressionante e instrutivo observar quão grande influência tem na vida de uma pessoa a questão de ver, ou contemplar.

Podemos verdadeiramente dizer que uma grande parte do que somos, e, portanto, do efeito que temos neste mundo, é o resultado da nossa visão. Há muita verdade no ditado que diz que nós nos tornamos como aquilo sobre o qual nossos olhos estão especialmente focados. 

A Bíblia leva muito em conta este fato, e o transporta para todos os seus paralelos na vida espiritual. Na verdade, na bíblia vemos que todos os estágios e fases da vida cristã tem a sua base na visão.

O início da vida cristã é o resultado de "contemplar o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (João 1:29).

Havia vários objetos de sacrifício no grande sistema tipológico de Israel, mas o cordeiro era o centro de tudo. A história de Israel como nação começou com o cordeiro pascal. Eles sempre foram lembrados disso, pela celebração da Páscoa anualmente. Olhavam para o cordeiro suportando o seu pecado e julgamento, apesar de em si mesmo ser "sem mancha ou defeito", e sabiam que era o cordeiro que Deus apontou e proveu para que contemplassem.

O Novo Testamento traz o Cordeiro de Deus em vista e traz o apelo para  que o contemplemos. Essa palavra significa mais do que "dar uma olhada", "olhar de relance para Ele". Significa, "fixar seu olhar sobre ele”. É o olhar de necessidade, de busca, de desespero.

"Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os limites da terra" 
(Isaías 45:22)

Então, a Bíblia coloca sobre essa mesma base toda a questão de nossa transformação progressiva.

“Contemplando... somos transformados... na sua própria imagem" 
(2 Coríntios. 3:18)

Não é um esforço para formar uma imagem mental de Jesus. Nos escritos apostólicos, Ele é apresentado a nós a partir de vários pontos de vista vitais, por Aquele que O conhece melhor e mais completamente.

Em "Romanos", por exemplo, Ele é amplamente apresentado como a justiça essencial de Deus, provida onde nenhum outro foi encontrado, sem o qual não há esperança para o homem ou para a criação.

Esta não é uma introdução aos livros do Novo Testamento, mas aponta para Ele e é uma indicação de como, à medida que somos encontrados olhando para Ele, e não para os autores dos escritos - uma influência em direção à Sua semelhança se seguirá em nós.

O que é verdade, no princípio, sobre o início e o progresso da vida cristã também é mostrado relacionado à sua consumação.

“Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.”
(1 João 3:2) 

Há mais textos que mostram que esse "contemplar" final terá um efeito na consumação, colocando os toques finais na obra de "ser conformado a Sua imagem". Assim, do início ao fim, a nossa salvação, transformação e glorificação são vitalmente relacionadas com os nossos olhos, com a nossa visão espiritual. "Os puros de coração verão a Deus" (Mt.5:8).

Mas, quando me propus a escrever estas linhas, eu tinha outras coisas em mente também. Nossos olhos são muito confrontados com condições que são contrárias a Cristo, e isso constitui um campo de batalha para eles.

A Bíblia contém muitos exemplos dos resultados deploráveis ​​do uso errado dos olhos. Pense em Eva, em Davi, nos dez espias em Cades-Barnéia, em Sansão (que viu uma mulher para sua ruína espiritual, e, eventualmente, perdeu seus olhos físicos), e assim por diante.

Não é verdade que muito do que nos lamentamos no cristianismo evangélico ocorre devido a esse uso errado dos olhos? Nossas livrarias religiosas estão equipadas com os frutos amargos do tempo e energia gastos na busca e exposição das fraquezas, falhas ou faltas e de tudo mais que é contrário àquilo que é de verdadeiro valor. Isso pode se tornar uma predisposição, uma obsessão, uma mania, e uma verdadeira ameaça.

Nós olhamos para os homens, para as pessoas. Nós olhamos para os ministérios. Nós olhamos para a obra cristã, e em tudo marcamos os aspectos humanos e falhos. Estes se tornam nossos focos, e o resultado é que o que é realmente valioso, e - talvez – de maior valor, é eclipsado por nós, por aquilo que se tornou tudo para nós.

Nada escapou deste uso enferrujado dos olhos, até aquilo que vem de Deus. Nós já vimos servos grandemente usados por Deus terem o seu ministério cortado de milhares de crentes apenas por causa do foco sobre um desvio, em algum ponto comparativamente pequeno, fora da aceitação comum. Ninguém teria mais zelo pela verdade, toda a verdade e nada além da verdade, do que nós, mas estamos igualmente zelosos para que o padrão de julgamento não seja a tradição, ou sistemas rígidos dos homens, mas sim, a medida de Cristo.

Cristo é o critério, do início ao fim, e não os julgamentos dos homens. Posso eu ver o Senhor? Estou realmente olhando para Ele? Se assim for, esse deve ser o meu ponto focal. Se Ele existe, há esperança para o resto, e eu devo deixar isso com Ele.

"Diante de mim via sempre o Senhor..."

Que isso possa ser verdade a nosso respeito!

Adaptado do texto de T.Austin-Sparks em inglês “Beholding”


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Eu SEI que meu Redentor VIVE!

"Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; de saudade me desfalece o coração dentro de mim." Jó 19:25,26

No Antigo Testamento, os homens conheciam Deus por meio de suas experiências. Isso aconteceu com Abraão, Isaque, Jacó, José... que durante suas vidas puderam experimentar Deus e conhecer Seus caminhos.

Podemos ver pelo início do livro de Jó que ele não entendia a ressurreição dos mortos ainda, considerando suas respostas quando interpelado pelos seus amigos (Jó 4:14 ; Jó 7:9). Mas durante as provações, ele pôde ter um relance da ressurreição. 

Ele ousadamente afirmou que veria o seu Redentor, o Senhor no seu corpo e pele, na sua carne. Essa revelação foi fruto das profundezas, de provas e conflitos espirituais. É tremendo entender como o Senhor nos revela a Si mesmo. Esse princípio não muda. No Novo Testamento temos o apóstolo Paulo descrevendo o caminho que ele trilhava para experimentar a "vida de ressurreição", a "vida em Cristo": "para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte" - o apóstolo descreve a experiência de Jó em suas próprias palavras. 

Para o conhecer, o poder da sua ressurreição, preciso ter comunhão com Seus sofrimentos, e abrir mão da minha vida, considerando-me morto com Cristo (paráfrase nossa)...ou "não sou eu mais quem vive, mas Cristo vive em mim".

Para que Cristo possa viver, precisamos estar nEle e nosso eu precisa estar crucificado com Cristo. 

Além de vislumbrar a ressurreição por meio de um Redentor, Jó ainda viu um juízo:

"Se disserdes: Como o perseguiremos? E: A causa deste mal se acha nele, temei, pois, a espada, porque tais acusações merecem o seu furor, para saberdes que há um juízo." (Jó 19:28,29)

Grandes revelações: que temos um Redentor, que um dia O veremos, e que iremos prestar contas diante dEle. 

Que tudo o que passamos em nossos dias, pressões, aflições, tribulações possam cooperar para que possamos experimentar esse poder de ressurreição, essa vida substituída - Cristo em nós! E essa vida vai nos capacitar para viver de forma digna desse chamado, trazendo honra e glória ao Pai.

"Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida" Rm 5:10



quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Credes que Eu posso fazer isso?

"Credes que eu posso fazer isso? Responderam-lhe: Sim, Senhor! Então, lhes tocou os olhos, dizendo: Faça-se-vos conforme a vossa fé."
Mt 9:28,29

Essa pergunta do nosso Mestre a esse cego é impressionante: "Credes que EU posso fazer isso?" 
O escritor de Hebreus traz mais luz a esse ponto quanto explica o que é fé e a sua importância em nossa caminhada como peregrinos nessa terra...

"De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam." (Hb 11:6)

A vida cristã é um contínuo desfrute de Cristo. Ele se descortina para nós dia a dia, e pela fé experimentamos essa realidade em nossa caminhada. Em momentos onde somos desafiados e colocados em circunstâncias desfavoráveis, ou até mesmo quando fracassamos, o Espírito da Verdade sussurra essas palavras para nós mais uma vez: "Credes que EU posso fazer isso?"

A vida cristã é uma vida impossível! Jesus Cristo hoje pode nos salvar totalmente das circunstâncias, do inimigo e principalmente de nós mesmos. Mas, para que isso seja uma realidade, precisamos nos aproximar dEle com fé - sabendo que ELE PODE FAZER ISSO!

Isso não é um conhecimento racional ou intelectual. É uma realidade que flui de um relacionamento. Como o apóstolo Paulo disse..."desejo ser achado nEle, não vivendo pela minha própria justiça, mas a justiça que vou experimentar pela fé em Cristo, que vem de Deus" (paráfrase Fp 3:9). Hoje podemos nos alimentar da Árvore da Vida, de Cristo! Do Cristo vivo, ressurreto, daquele que venceu a morte e vive a interceder por nós.

"Credes que EU posso fazer isso?" Aqui está o único fator em nossa experiência que pode nos impedir de conhece-LO mais e mais.

Que nossa alma possa descansar em sua onipotência, e que possamos nos deleitar no nosso amado mestre. Assim, poderemos VER pelo toque DELE. Ver o Autor da Nossa Fé - e segui-lo nessa caminhada. Mas isso só é possível se vivermos pela VIDA DELE.

Que possamos VER o nosso Salvador, porque Ele nos salvou totalmente - e pela Sua vida poderemos segui-Lo por onde quer que Ele for...
(Ap 14:4b)

"Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles." (Hb 7:25)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Deus está em Movimento

"Vi os seres viventes; e eis que havia uma roda na terra, ao lado de cada um deles....Andando elas, podiam ir em quatro direções; e não se viravam quando iam. As suas cambotas eram altas, e metiam medo; e, nas quatro rodas, as mesmas eram cheias de olhos ao redor. Andando os seres viventes, andavam as rodas ao lado deles; elevando-se eles, também elas se elevavam. Para onde o espírito queria ir, iam, pois o espírito os impelia... porque nelas havia o espírito dos seres viventes. Andando eles, andavam elas e, parando eles, paravam elas, ...porque o espírito dos seres viventes estava nas rodas."
Ezequiel 1:15-21


Quando Ezequiel foi chamado para servir ao Senhor, teve uma grande visão. Parte dessa visão incluía querubins, e parte da visão dos querubins apresentava rodas ao lado deles. 

Essas rodas são símbolos de movimento; significam mobilidade e elas também falam de direção. Em terceiro lugar, elas começam na terra, e são levantadas da terra para o céu, e, então, parecem tocar a terra novamente, em tempos diferentes. Em seus movimentos, elas parecem vir à terra de tempos em tempos. Então, em quarto lugar, essas rodas estão cheias de olhos. Em todo o redor delas há olhos. E, em quinto lugar, o Espírito de vida está nas rodas. 

Muito resumidamente, gostaríamos de abordar esses aspectos em relação às rodas:

Primeiro, Deus está em movimento. Estamos aqui diante dos movimentos do Trono sobre rodas. Segundo, Deus requer liberdade absoluta para se mover. Ele requer total liberdade para os Seus movimentos. Nenhum livro é melhor para retratar isso no Novo Testamento do que o livro de Atos. Quando chegamos ao livro de Atos, descobrimos duas coisas: o Trono está em movimento. Não há dúvida de que o Homem assentado no Trono está se movendo. Atos não é um livro estático. O Senhor não está parado ali; está em movimento. 

A segunda coisa é que o Senhor requer liberdade para se mover. Esta liberdade de movimento precisa ser reconhecida e aceita. Lembramos de Pedro na casa de Cornélio. Aquela visão que Pedro teve no terraço está sempre presente em nossa mente. O Senhor está se movendo de Israel para os Gentios, de Jerusalém para as regiões baixas. Isto é o que temos em Ezequiel. Mas Pedro quis parar o movimento do Senhor – ele disse: "Não, Senhor." Mas as mãos do Senhor não estão amarradas pela tradição. O Senhor não está preso pelo preconceito. Esta foi uma tremenda crise para Pedro, e esta foi a natureza da crise. O Senhor estava dizendo a ele: “Pedro, eu estou me movendo”. Você vai comigo? Se você não for comigo, não faz diferença. Simplesmente você vai ficar para trás. Mas, se você for comigo, terá que me dar toda a liberdade de movimento. A sua mente não pode interferir nos meus movimentos. As suas tradições religiosas não podem interferir no meu movimento. O seu preconceito não pode interferir no meu movimento”.

O Senhor está se movendo, e Ele requer absoluta liberdade de movimento. É isto o que temos aqui nas rodas, bem no início. Deus está se movendo, e reivindica o direito de se manter em movimento. Precisamos nos lembrar de que Deus está sempre se movendo em direção ao Seu Eterno Propósito. E nós não podemos colocar coisa alguma em Seu caminho. O Senhor diz: “Eu tenho ainda mais luz e verdade para revelar em minha Palavra. Vocês ainda não chegaram ao final dos meus movimentos. Há muito mais adiante do que o que ficou para trás, e vocês precisam dar a Mim total liberdade para prosseguir”.

A segunda coisa: as rodas falam de direção sem desvios. Este é um dos pontos mais difíceis de interpretar nesta visão. Mas, conforme vejo, para mim significa o seguinte: Quando Deus segue avante, Ele jamais é pego de surpresa por algo que Ele não tenha previsto. Se Deus muda de direção, é porque tudo já estava previsto, não se trata de uma emergência, não é porque Deus não tinha antecipado a situação. Provavelmente vocês irão encontrar dificuldade para entender isto. Voltemos para o que estávamos falando sobre Pedro. Parece que Deus está mudando de direção, pois, até este ponto, Ele estava se movendo com Israel; todos os Seus movimentos até então estavam relacionados a Israel. Parece como se Deus estivesse mudando de direção, e isto foi um problema para Pedro. Foi uma mudança muito grande na direção de Deus. 

Parecia que Deus estava mudando o Seu curso só porque havia enfrentado dificuldades em Israel. É assim que muitos expositores da Bíblia interpretam. A ida aos gentios, dizem, foi uma política completamente diferente adotada pelo Senhor, isto porque os Judeus lhe apresentaram dificuldade. É assim que Pedro viu a coisa, sentindo-se muito mal com isso, e, então, teria dito: "Senhor, você não pode fazer isso. Você andou com Israel por séculos. Você não pode mudar o curso agora”. Os irmãos estão entendendo a questão agora? – o fato é que Deus não estava mudando o curso. A Bíblia deixa bem claro que Deus sempre teve os gentios em mente. Ele queria alcançar os gentios através dos Judeus. Se os Judeus fracassaram em servir a Deus desta maneira, Ele simplesmente continua firme com o Seu propósito de sempre.

As rodas seguem em frente. Elas podem mudar de direção, mas isto não significa mudança de propósito. Mesmo numa aparente mudança de direção, elas ainda continuam em frente. Deus não deixa o Seu caminho por causa das circunstâncias. Ele apenas segue em frente. Agora, isto é algo muito difícil de entender enquanto vocês leem esta visão das rodas, mas penso que a ilustração de Israel e dos gentios é a chave para esta situação. 

Então, ponto número três: as rodas tocam a terra e sobem para o céu. E, então, parece que elas voltam a terra novamente e aí permanecem. Os seres viventes abaixam suas asas, e, por um tempo, tudo parece ficar imóvel, e, então, a inferência que temos é a de que elas prosseguem novamente. 


O Senhor começou algo no dia de Pentecoste. Começou em Jerusalém. Podemos dizer que Ele começou, por assim dizer, na terra. Seus movimentos estão sobre a terra – Ele está, através deste livro, numa posição sobre a terra, e, então, pára. Isto não é uma contradição daquilo que acabamos de falar. Há tempos quando o Senhor precisa esperar – esperar por algo – Seus movimentos para frente parecem parar.

Observem as nossas próprias vidas. Há um movimento de Deus, e, então, parece haver um período de espera – o Senhor está esperando algo. Pode ser que Ele esteja esperando pelo nosso ajustamento a alguma luz que tenha nos dado. Pode ser que esteja esperando pela remoção daquilo que entrou, mas que não veio Dele. Podem ser muitas coisas, mas sabemos que, em nossas próprias vidas, há períodos em que parece que o Senhor não está se movendo.

Talvez Ele tenha parado o Seu movimento – talvez esteja agora esperando algo. Durante esse período de espera, precisamos refletir muito seriamente - "Por que será que o Senhor não está se movendo?” Por que o Senhor não está se movendo comigo? O que o Senhor está esperando? De que ajuste estou precisando? O que será que preciso tirar do caminho do Senhor? Precisamos nos exercitar todas as vezes que o Senhor parar e ficar esperando algo.
Então, chegamos ao próximo ponto: as rodas estão cheias de olhos; há olhos por todo o redor das rodas. Nós nos deparamos com esses olhos em muitas ocasiões na Palavra de Deus. Encontramos esses olhos na profecia de Zacarias, e também em Apocalipse, muitas vezes; naturalmente, sabemos o que eles simbolizam – representam a completa e perfeita inteligência do Trono. O governo do Homem do Trono é um governo de perfeita inteligência. Se transferirmos este princípio para o início do livro de Apocalipse, lá veremos o seu significado. As igrejas estão prestes a serem julgadas, mas Aquele que as julga é Alguém cujos olhos são chamas de fogo. E esta Pessoa diz às igrejas: “conheço as suas obras”. Então, Ele prossegue, falando tudo o que conhece sobre elas, e é mostrado que Ele conhece mais sobre as igrejas do que elas conhecem sobre si mesmas.

Ele fala a uma igreja que pensa que é rica e abastada, que de nada têm falta. Mas, Ele diz: “Vocês não sabem que são pobres, cegos e nus”. Então, o que Ele diz a eles? “Aconselho que de Mim comprem colírio, para que possam ver” – para que possam ver aquilo que Eu vejo. O Senhor conhecia mais e enxergava mais do que aquela igreja conhecia a respeito de si mesma.  Todos os movimentos deste Trono sobre rodas são de completa inteligência. Aquele que está no Trono vê e conhece tudo. O Senhor não é cego nem ignorante.

E, finalmente: o Espírito de Vida está nas rodas. O princípio que governa os movimentos do Senhor é a Vida. Quem governa o Trono é o princípio da Vida. Todos os movimentos de Deus desde a eternidade se dão nesta base, com esta questão da Vida.

TODO PODER ME É DADO NO CÉU E NA TERRA

Resumindo e trazendo isto para o Novo Testamento. Lendo Mateus 28:18-20. Jesus disse: "Toda autoridade me foi dada no céu e na terra”. Esta é a primeira metade da declaração que Ele faz nestas escrituras; e isto nos faz voltar ao Trono sobre rodas em relação a toda criação e a autoridade que está investida no Homem assentado sobre ele. Observem a palavra “autoridade”, usada por Jesus. Ele não disse, “todo poder Me foi dado no céu e na terra”; naturalmente, isto estava implícito, mas Ele usou outra palavra grega. Ele disse: “Toda autoridade Me foi dada”. Autoridade é algo maior do que poder. O poder está contido na autoridade. A autoridade é o exercício do poder. Jesus disse, "A Mim pertence toda autoridade de governo no céu”. - "Os homens podem me chamar apenas de Jesus de Nazaré, podem me considerar como um homem qualquer, mas eles acabarão descobrindo que em Mim está toda a autoridade do céu." E foi isso o que eles de fato descobriram.

Então, temos a outra metade da declaração, em Mateus: “Por isso, ide por todo o mundo; e eis que estarei convosco todos os dias". Aqui estão os movimentos do Trono “em todo o mundo”, e a autoridade de Jesus Cristo está com a Igreja. Toda autoridade do céu está com a Igreja, quando ela se alinha aos movimentos do Trono.

Assim, primeiramente, trazemos Mateus 8:18-20 para Ezequiel, naquilo que se trata da questão da preparação do servo para a obra. Ezequiel certamente precisou desta preparação. Se ele não tivesse tido esta visão, a obra teria sido impossível. Todo servo do Senhor precisa desta visão. Se não tivermos claro diante de nós que o Homem no Trono governa, e que tem o controle e autoridade sobre tudo que acontece no universo, não seremos capazes de cooperar em Sua obra.

Adaptado do livro "O Persistente Próposito de Deus" - T.Austin-Sparks

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Queres ir com este homem?

"Chamaram, pois, a Rebeca e lhe perguntaram: Queres ir com este homem? Ela respondeu: Irei."
Gn 24:58

"Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai.... Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados."
Rm 8:14-17

O processo de escolha de Rebeca como esposa para Isaque é muito instrutivo. Quando o servo de Abraão busca essa noiva, o próprio Deus a coloca diante dele. Tudo é dirigido pelo Senhor. O servo de Isaque mostra todas as riquezas do seu senhor, Rebeca escolhe se quer ou não se casar com ele e então, seguir com esse servo para a terra distante.

Rebeca escolheu seguir com esse servo. Assim, partiu ela sem saber exatamente para onde ia. Em um certo sentido, ela representa a noiva de Cristo, que é convidada pelo Espírito Santo para segui-lo em sua vida diária, preparando-se para as bodas com o nosso verdadeiro Isaque. 

O que chama muita atenção é que Deus não impõe à noiva esse casamento, mas deixa a escolha a critério dela.

"A obra do Espírito na vida do Cristão é dirigida no sentido de trazer esse indivíduo ao ponto onde ele pode ser confrontado com essa questão. Então, a resposta do cristão a essa pergunta vai permitir que o Espírito continue a Sua obra nessa vida daí por diante. O objetivo é trazer o Cristão a um ponto em que seja permitido que, no futuro, ele possa ser parte da noiva de Cristo. Uma resposta negativa vai "entristecer" (suprimir) a obra contínua do Espírito naquilo que tange a sua preparação por meio das circunstâncias ordenadas para seu amadurecimento (Ef 4:30)." (Chitwood)

Que possamos responder positivamente ao chamado do Senhor, e estar dispostos a enfrentar o grande deserto desse caminho de encontro com o nosso Isaque. Temos o Espírito Santo como guia, que é o nosso Consolador e Mestre nessa caminhada...

"Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma? Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras."
Mateus 16:24-27

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Dispõe-te, resplandece...

"Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do SENHOR nasce sobre ti. Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos; mas sobre ti aparece resplendente o SENHOR, e a sua glória se vê sobre ti" (Isaías 60:1,2)

"Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar- se." (Ap 22:11)

Pensando no ano de 2015, não podemos deixar de ver o quanto a palavra de Deus é viva e fiel. Temos visto, perplexos, o mundo seguindo mais e mais em direção ao cumprimento de tudo que o Pai nos revelou em Sua palavra.

Quando pensamos em tudo que tem acontecido nas nações, em meio aos judeus, na cristandade, na Igreja do Senhor, vemos claramente que nos movemos em direção àquele clímax previsto em Apocalipse, quando nosso Senhor voltará visivelmente e julgará todas as nações (Mt 25:31,32). Pouco antes disso, nós, a Igreja, seremos julgados segundo nossas obras (1 Co 3:12-15; 1 Co 4:1-5). Mas a assim chamada "Igreja", em sua maioria, vive para si mesma, usa Deus para seus próprios benefícios, encontra na comunhão um convívio social sadio. O inimigo trabalha arduamente para roubar da igreja o Reino e a Coroa, que são condicionais à sua caminhada. 

Vemos que "as trevas cobrem a terra", e que "os povos andam na escuridão". Nesse contexto, a palavra é "Dispõe-te, resplandece...", a promessa é "a glória do Senhor nasce sobre ti, sobre ti resplandece o Senhor, a Sua glória se vê sobre ti"...

Em um contexto de trevas, a luz resplandece com mais intensidade. Que possamos, nesse ano de 2016, apoiados nas riquezas da infinita graça de Deus, ver a Sua glória. Que Ela possa nascer e se ver sobre nós. Que, pela graça de Deus, possamos perseverar na fé, em resposta ao nosso mestre que disse: "Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?" (Lucas 18:8)

Sabemos que seremos salvos pela Vida Dele e reinaremos em Vida por meio dela (Rm 5:10,17), a Vida está Nele (1 Jo 5:11,12).

Nosso desejo a todos os irmãos é este: que possamos andar no Espírito, depender Dele a cada passo, para que possamos ser um testemunho da vida e luz de Cristo em um momento onde as trevas cobrem a terra.

Que possamos seguir o Cordeiro por onde quer que Ele vá (Ap 14:4), honrando-O e sendo honrados com Ele mesmo vivo em nós!

Bendita esperança é essa. Que possamos viver à luz de sermos dignos dessa promessa maravilhosa, que iremos experimentar em parte hoje, para vê-la plenamente manifesta no futuro:

"Nela [Nova Jerusalém], estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele. Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos". 
Ap 22: 3-5

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O Senhor não muda


"Porque eu, o Senhor, não mudo..."

Malaquias 3:6


Deus nunca muda, assim como a obra do Senhor Jesus nunca sofre mudança, tampouco o Espírito Santo muda. Uma criança em sua ignorância pensa que o sol desapareceu em um dia chuvoso. Ele pergunta ao seu pai para onde o sol foi. Ele sobe as escadas para ganhar uma visão melhor do sol, mas não o encontra. Ele pode subir até uma torre próxima, e ainda não encontra o sol. Os mais velhos sabem que o sol não mudou, mas que apenas se escondeu sob as escuras nuvens. Da mesma maneira, o Sol do crente não muda, apenas os seus sentimentos mudam. Existem nuvens escuras no seu céu pessoal e a luz do Sol está oculta de sua vista. Se um crente anda por seus sentimentos, seu sol vai mudar com frequência e será oculto pelas nuvens. Mas se ele não vive de acordo com seus sentimentos, seu sol não sofrerá nenhuma mudança. Precisamos viver acima das nuvens escuras dos sentimentos.

Qual é a verdadeira fé? É a que apenas crê na Palavra de Deus e não na experiência própria, sentimentos ou ambiente tenebroso. Aleluia! só a Palavra de Deus é verdadeira! Se as circunstâncias e a experiência condizem com a Palavra de Deus, damos-Lhe graças e louvores. Mas se não condizem, de qualquer forma a Palavra de Deus permanece. Tudo o que a contradiz é falso. Satanás pode afirmar: "Você diz que venceu, mas veja: ainda está tão corrupto como antes. Que o faz dizer que tem vencido?" Você pode dizer a Satanás: "É certo que ainda sou o mesmo; jamais conseguirei mudar. Mas Deus disse que Cristo é minha santidade, minha vida e minha vitória". Satanás lhes dirá que vocês continuam sendo corruptos, débeis e impuros. Mas a Palavra de Deus é verdadeira. As palavras de Satanás são mentira; somente a Palavra de Deus é veraz.

Extraído do devocional "The Lord My Portion" e parte do livro "A Vida que Vence" - cap.8 - Watchman Nee

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A Necessidade de Alimento

Tradução da Carta do Editor (T.Austin-Sparks) enviada no Vol.32 da revista "Uma Testemunha e um Testemunho" de Mai-Jun de 1954. 

Esses irmãos passaram pela crise da 2ª Guerra Mundial que assolou a Europa e, com o passar do tempo, tiraram preciosas lições espirituais. Com isso em mente, podemos apreciar as palavras edificantes que o Senhor concedeu ao irmão Sparks, tão atuais para a Igreja de Cristo nos dias de hoje. Que possamos "ter ouvidos para ouvir aquilo que o Espírito diz à Igreja". 

"Amados de Deus,

Ficamos muito gratos por receber manifestações de que o material por nós encaminhado tem servido de alimento para os irmãos. Desta forma, enviamos com grande alegria mais esse novo suprimento.

O alimento é vital para a existência, o crescimento, a saúde e a capacidade para batalha. Em todas as campanhas de guerra, o alimento sempre foi uma questão estratégica. O inimigo sabe o valor estratégico que o alimento tem para as pessoas. Assim como o sucesso pode ser acelerado e garantido quando o suprimento de alimento do inimigo for cortado ou destruído na esfera natural, também acontece no grande conflito do reino espiritual.

Tem havido uma persistente determinação do inimigo de enfraquecer, minar e tornar inefetivo o povo de Deus, interferindo em seu alimento. Um dos trágicos efeitos de um pobre suprimento de alimento, ou da escassez de boa comida, é que as pessoas se acostumam com isso, aceitam que é isso que tem, se acomodam com a pouca qualidade, e perdem o apetite por algo melhor, porque não tem conhecimento de sua existência.

Colocando de outra maneira, apenas conhecendo e experimentando um alimento melhor é que o povo vai passar a deseja-lo e buscá-lo. Provar estimula o apetite.

A glória e honra do Senhor está intimamente atrelada com a condição do Seu povo, e Seu desejo é que eles estejam bem alimentados, crescendo, saudáveis, fortes e capacitados para toda a boa obra. Esse estado é uma ameaça aos interesses do inimigo.

Portanto, surge uma necessidade para o povo de Deus de, por um lado, saber que existe muita boa comida à disposição e, por outro lado, perceber que, por todos os meios possíveis, o inimigo tentará impedi-los de obtê-la ou de que ela chegue até eles.

O ponto importante em questão deve sempre ser: Será que isso traz uma maior medida de Cristo em nós?

O ministério do Apóstolo Paulo foi principalmente voltado para "edificação", e isso por meio de um abundante alimento espiritual. Consequentemente, nunca houve um ministério tão contestado - subversão, crítica, deturpação, calúnia, falsidade e relatórios maldosos surgiam de todos os lados contra ele. Oh, como o inimigo odeia qualquer coisa que possa trazer uma maior medida de Cristo!

Nesse ministério, não temos um objetivo diferente ou menor do que dar espaço para que Cristo possa encontrar Sua plenitude em Seu povo, e nossa oração é que esse pequeno mensageiro possa ser um crescente ministro do Senhor para você.

Que o Senhor encontre Seu deleite em você em termos de saúde espiritual, estatura, vigor, labor frutífero e pelejar triunfante!

Calorosas Saudações,

Na Sua graça,

EDITOR"





quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Um Sinal

“Dize: Eu sou vosso sinal”. Ezequiel 12:11

A concepção mental do significado do que é consagração é: ser abençoado e se tornar uma benção. Essa não é uma concepção verdadeira, se pararmos apenas por aí. Estas passagens que destacamos contém uma proposição, que é o principio básico e central da consagração, que é se entregar ao Senhor. E qual é esse princípio? Que o Senhor possa nos tornar um sinal. Essas passagens contém esta lei, que temos frequentemente assinalado, de que Deus, em Seu eterno propósito, determina que o método para Sua realização seja por uma encarnação de Si mesmo. Isto é, por meio de uma manifestação de Si mesmo na carne. Ele deseja fazer algo por meio dessa encarnação que seja um sinal para o universo, que signifique algo de infinita Sua Sabedoria, Poder e Soberania - usar essa forma de homem, para que nela possa fazer coisas e dizer: “Olhe isso e aprenda”. Por meio daquilo que Ele faz naquele instrumento, está tornando ele um sinal, com significado não apenas para o homem, mas para os anjos das duas hierarquias, a divina e a satânica. Como exemplificado em Jó, Ele faz algo para que todo o exército de anjos e demônios olhe e aprenda, para que eles se tornem sábios. Portanto, em cada esfera, entre os homens e nas esferas celestiais, as inferiores e superiores, Deus deve ser capaz de fazer algo naqueles que são Dele, que possa ser o meio de instruir, conscientizar, informar e demostrar.

Moisés foi um sinal aos Filhos de Israel. Ele desobedeceu a Deus, por isso Ele teve que atuar imediatamente, e, uma vez que Moisés estava em posição tão proeminente perante o povo, sua desobediência deveria ser publicamente punida. Por meio desse julgamento ele se tornou um sinal para os Israelitas, para que eles não viessem a considerar levianamente o pecado da desobediência. No que tange a nós, deverá muitas vezes haver uma pública demonstração e juízo da carne, para a advertência de outros, assim também como para a vindicação da Verdade em sua viva manifestação. Moisés foi um sinal de Deus. Tem um preço ser um sinal de Deus. Estamos dispostos? Quão grande foi o custo para Moisés! - mas – o que veio depois disso!

Podemos ver que este é um principio no trato divino conosco, conforme ilustrado nas seguintes escrituras: 

Ez 12:6  “fiz de você um sinal” 
Ez 12:11 “Sou teu sinal” 
Ez 24:24 “Lhes será um sinal, vocês farão o que ele fez e saberão que eu sou o Senhor”
At 1:8 “E serão minhas testemunhas” 
2Co 3:2 “Vós sois a nossa carta...conhecida e lida por todos os homens” 
2Co 3:3 “Sendo manifestos como carta de Cristo” 
1Co 4:1 “Que os homens nos considerem, pois, como ministros de Cristo” 
1Co 2:15 “Viemos a ser um espetáculo para o mundo, tanto diante de anjos como de homens”   
Ef 3:10 “Para que agora seja manifestada, por meio da igreja, aos principados e potestades nas regiões celestes, a multiforme sabedoria de Deus” 
2Co 2:15 “Porque para Deus somos o aroma de Cristo entre os que estão sendo salvos e os que estão perecendo”  

Acredito que o Senhor nestes dias está buscando e reunindo um povo que sejam Seu sinal para a Casa espiritual de Israel – que certamente serão poucos, o que não quer dizer que o Senhor não possa fazer isto com todos os que são Seus. Seus testemunhos podem não ser de que a Casa de Israel está totalmente errada; mas de que existe uma vida maior e mais profunda em Deus, para a qual Ele os teria chamado. Quando uma pessoa sente esse encargo tantos nestes dias, entenderá o significado disto: quando o Senhor chama um povo, pode ser um pequeno grupo, Ele coloca Sua mão sobre alguém aqui e outro ali, e os ajunta um por um a uma companhia pequena desses que serão um sinal especial para Sua casa. Ele lida com eles em maneiras completamente diferentes das que Ele lida com outras pessoas, e diz: “Farei uma coisa nova”.

Não adianta você fazer comparações com outros. Eles podem, em seus caminhos, ter um certo zelo e benção de Deus sobre eles; mas isso não quer dizer que a maneira que o Senhor está conduzindo você é errada; e não ouse discutir pelos caminhos que outras pessoas vão. Este é o caminho do Senhor para você. Não pare para fazer comparações. Nós tropeçamos nisso muitas vezes, nós que temo-nos dado inteiramente a Deus, e então temos estas experiências e provas excepcionais a enfrentar – o impacto total da ira do inimigo. Olhamos a nossa volta para outros que têm um caminho mais fácil, porque eles não estão seguindo pelo nosso caminho. De imediato, ao fazermos isso, tudo começa a desabar sob nossos pés. O ponto é, o Senhor tem Sua roda dentro da Roda [Ez 1:16], Seu instrumento com o qual Ele deseja manifestar um sinal especial para Seu povo de Sua Sabedoria, Seu Poder, Sua Graça, Seus Métodos, Seu Propósito, e assim revelar a Si mesmo através deles para outros. Não tenha, por nenhum momento, o pensamento de alguém estando em um pedestal, estando em isolamento, como que especial para o Senhor. Isso simplesmente significa descer mais profundo para a morte, e humilhação diante do mundo, mais do que qualquer outro. E porque o Senhor nos leva mais fundo, Ele pode revelar algo maior.

Podemos dizer, ao encerrarmos a nossa permanência nas linhas e associações mais antigas, que Deus está nos levando a um caminho que é não usual, o qual é, se preferir assim dizer, peculiar; e está realizando algo que sabemos não ter sido feito em nenhum outro lugar. A medida que o Senhor nos conduz em comunhão, acredito que é para que, em fazendo isso - com tudo o seu custo, sua dor, toda a necessidade da destruição de cada pedaço da carne, orgulho e arrogância, e do desejo pela aprovação dos homens e todo esse tipo de coisa – Ele busque esses que vão segui-Lo, a fim de que possa torná-los um Sinal, algo espiritual, poderosamente espiritual. Isso não quer dizer que os homens irão aplaudir, não que os homens irão aprovar, mas que possa, porventura, ser um impacto de Deus desde o Seu Trono sobre o trono de Satanás, neste últimos dias. Esse é o peso da Palavra do Senhor: “Filho do homem, tenho feito você um Sinal”; “Diga a eles, Eu sou teu Sinal”.

Assumo que nós, que estamos reunidos neste lugar nesta noite, somos todos povo do Senhor. Praticamente todos nós estamos nesta comunhão do Espírito, tendo nos entregado para seguir com o Senhor por todo o caminho. Me parece que este é o momento em que devemos encarar a implicação desta palavra; se estamos indo pelo caminho popular, ou pelo impopular; de se iremos ser o Sinal do Senhor. Quando Paulo proferiu estas palavras: “Deus nos fez ser por último, um espetáculo”, ele estava considerando os feriados dos Romanos, quando eles se reuniam para um dia de esporte; e tudo já tinha acabado, a última coisa que acontecia era colocarem na arena, criminosos que eram tornados em esporte para coroar o feriado, para que pessoas rissem, zombassem, ridicularizassem, fizessem piada; e Paulo diz: “por último, somos feitos um espetáculo” - o mundo ri. Assim como o mundo riu de Neemias na construção dos muros de Jerusalém.

“Deus nos fez um espetáculo”. Estamos prontos para ser feitos um “Sinal”? Aquilo do que o mundo ri? A cruz do Senhor Jesus tem provado que tem sempre sido o superlativo da sabedoria e do poder de Deus. No momento, o compartilhar da cruz é o teste real. O Mestre suportou a cruz, e desprezou a vergonha, a fim de ser feito um sinal. Houve alguma vez algum Sinal mais glorioso e poderoso do que aquela cruz?

Então o nosso Mestre chegou até o fim e disse: “por causa deles Eu me consagro a Mim mesmo, por causa deles Me entrego à completa consagração; e essa consagração é a cruz; Estou disposto a ser feito um “espetáculo” para os homens, demônios e anjos, por causa deles”. O Senhor quer que sejamos Sinais. Digo isso com respiração suspensa, sabendo pouco do que isto significa, mas sabendo também que Sua Graça é suficiente. Amados, Ele está apenas procurando reunir uma companhia de pessoas na qual Ele possa fazer um Sinal, não apenas de sofrimento e aflição, mas de Poder e Glória, para mostrar a outros Sua Sabedoria, Sua força, Sua Soberania, Sua Graça. Será que você dirá, nesse terreno: “Sou do Senhor. A Teus pés me lanço; para sofrer, viver ou morrer, por meu Senhor crucificado?” Isto é o que quer dizer ser Suas testemunhas. “Vocês serão Minhas Testemunhas” - não quer dizer sair e falar; significa o Senhor operando em nossas vidas, e outros olhando, e dizendo: “Essa é a Mente de Deus; esse é o Caminho de Deus; essa é a Vontade de Deus”. E a medida que Ele faz isso, demônios aprendem quem Deus é, a Glória de Deus, a Soberania de Deus; os anjos curvam-se por causa de Seus feitos na Igreja, e O glorificam em nosso favor.

Que Ele possa nos levar a dar nosso assentimento e consentimento num novo e fresco ato de entrega e consagração individual, e coletiva, nestes próximos dias.


T.Austin-Sparks - Primeiramente publicado na revista “Um Testemunho e Uma Testemunha”, Jan-Fev 1927, Vol 5-1

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A Solução que Abrange Tudo

"Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus." Cl 3:2,3

Através de sua carta vejo que sua amiga está cheia de boas intenções em realçar a Deus, mas ela quer avançar mais rápido do que a própria graça. Um cristão não vira santo, de repente, não importando quanto tempo ele persevere para isso ou diga que tem experiência. Recomendo que ela fique aos seus cuidados. Devemos nos ajudar uns aos outros e nos encorajarmos, sobretudo através de nossos bons exemplos.

Sempre que possível, devemos lembrar que a nossa única tarefa na vida é agradar ao Senhor e que tudo mais, ao lado disso, é todo e sem valor.

Eu e você temos vivido uma vida monástica durante muitos anos. Será que empregamos esses anos para amar ao Senhor? Afinal, foi por Sua misericórdia que fomos chamados e escolhidos. E com que propósito? Para amá-lo.

Quando me dou conta dos grandes favores que Deus me concedeu, e continua concedendo, e como aproveitei tão pouco de tanta misericórdia e de tantos favores no sentido de alcançar a perfeição, sinto-me envergonhado. Mas, honre o Seu nome, pois através da Sua misericórdia Ele deu a nós dois um pouco mais de tempo. Portanto, sejamos sérios em relação a Ele. Querida irmã, recupere o tempo perdido. Retorne, com segurança, ao Único que é misericordioso e que concede graças. Retorne a seu Pai que sempre e a qualquer momento está pronto para recebê-la. E ainda digo mais: Ele a receberá com profunda afeição.

Deixemos que o nosso amor transborde e renunciemos a tudo que não seja Ele. Deus merece isso e muito mais. Pensemos Nele permanentemente e coloquemos Nele, os dois juntos, nossa confiança. Não tenho dúvidas que logo sentiremos os efeitos disso. É necessário que deixem tudo e fiquemos apenas com Cristo; mas, oh, basta-nos a abundância de suas graças! Através delas podemos fazer todas as outras coisas. Sem elas, nada podemos a não ser pecar.

Não há maneira de escapar dos perigos da vida sem a ajuda contínua da presença de Deus. Oremos, então, para que Ele continue a nos ajudar.

E como orar para Ele sem estar com Ele? E como estar com Ele sem pensar sempre Nele? E como pensar Nele sem adquirir o santo hábito de estar na Sua presença?

Você vai dizer que estou sempre repetindo a mesma coisa. É verdade, porque este é o método melhor e mais rápido que conheço. Nele está a solução para todos os problemas espirituais. E como não conheço outro método, aconselho a todos a seguirem este.

Direi isso em outras palavras: antes de podermos amar, precisamos conhecer. É preciso que conheçamos a pessoa, pra que possamos amá-la. Como poderemos manter o nosso "primeiro amor" para com o Senhor? Conhecendo-O cada vez mais! 

E como poderemos conhecer o Senhor? Estando sempre voltados para Ele, pensando Nele e O contemplando. Então, nossos corações encontrarão os seus tesouros.

Este é um argumento que merece a sua consideração!


Extratos do testemunho do Irmão Lawrence (1611 - 1691), que viveu aproximadamente 55 anos na comunidade religiosa chamada Carmelitas. Esse irmão serviu na maior parte do tempo na cozinha do hospital. Tornou-se muito conhecido dentro da comunidade e depois fora dela, por sua fé tranquila e serena e por sua experiência da "presença de Deus".


Extraído do livro "A Prática da Presença de Deus" - da Ed.Danprewan


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Acima de Qualquer Método

"Mas o Senhor tem sido o meu alto retiro, e o meu Deus a rocha do meu alto retiro, e o meu Deus a rocha do meu refúgio." Salmo 94:22

Há poucos dias atrás estava conversando com um irmão de piedade. Ele me dizia que a vida espiritual era uma vida de paz e que ela é alcançada quando passamos por três fases. Primeiramente existe o medo; depois esse medo é substituído pela esperança e pela vida eterna; e, finalmente, vem a consumação, aquela que é o puro amor. Ele disse que cada um desses três estados é um estágio que traz a pessoa para a "consumação sagrada". 

Nunca segui esse método. Ao contrário, sempre me senti desencorajado diante de tais coisas e, quando finalmente consegui estar com o Senhor, decidi simplesmente dar-me a Ele. Este presente que fiz de mim mesmo, foi a maior satisfação que tive em relação a esperança de estar livre dos meus pecados. Compreendi que somente por amor a Ele eu poderia renunciar a tudo que se referia aos interesses deste mundo.

Durante os primeiros anos em que estava buscando a Deus não usei nenhum método. Reservei alguns momentos para pensar sobre a morte, sobre o julgamento, sobre o céu, o inferno e meus pecados. Fiz isso durante muitos anos. Mas, no resto do tempo comecei a fazer uma outra coisa. Passava o resto do meu dia, mesmo durante o horário de trabalho sintonizando a minha mente, cuidadosamente, na presença de Deus. Sempre achei que Ele estava comigo, até mesmo dentro de mim.

Finalmente, decidi usar os horários de oração para praticar qualquer tipo de devoção metódica, o que me proporcionava uma grade satisfação e um grande conforto. Depois, mesmo nesses momentos, eu me fixava na presença de Deus. Essa prática nova revelou-me muito mais sobre o Senhor. Somente com a minha fé, sem métodos e sem nenhum medo, foi o bastante para que eu me sentisse seguro e caminhasse na direção do Senhor.

Foi assim que eu comecei.

Os dez anos que seguiram forma muito duros e tive muitos problemas. Eu receava não estar sendo tão devotado a Deus como queria ser e os meus antigos pecados estavam sempre presentes em minha mente, fazendo com que me sentisse não merecedor de todos os favores que Deus me concedia! Isso é a fonte dos meus sofrimentos.

Durante esse período senti-me, muitas vezes, como se tivesse que nascer de novo. Era como se toda a criação, toda a razão e até o próprio Senhor estivessem contra mim...e só me restava a fé. A idéia de que estava sendo presunçoso em acreditar que tinha recebido do Senhor favores e graças - e essa presunção só serviria para levar-me ao ponto que outros só haviam chegado passando por estágios onde haviam encontrado muitas dificuldades - me deixavam muito perturbado. Em certa ocasião pensei até que, talvez esta minha relação com Deus fosse apenas fruto de uma ilusão de minha parte, e que eu não tinha salvação!

Espantosamente, todas essas dúvidas e medos não diminuíram a minha confiança em Deus e só serviram para aumentar a minha fé. Finalmente, descobri que poderia deixar de lado todos esses pensamentos que brotavam em momentos de cansaço e problemas. Imediatamente descobri que eu havia mudado. Minha alma, que havia sido tão perturbada, sentia uma paz interior profunda e estava descansada.

Desde então, tenho caminhado diante de Deus simplesmente com a minha fé, com muita humildade e amor. Agora, tenho apenas uma coisa a fazer: aplicar-me cada vez mais para ter sempre a presença de Deus e nada fazer ou dizer que possa desagradar a Ele.

Muitos anos se passaram desde que vivi tudo isso. Não tenho dores nem dúvidas no meu estágio atual, porque só tenho uma única vontade: a de Deus. A ela sou submisso e não pego uma palha no chão sem que seja por Sua ordem e faço isso por um único motivo: o amor a Ele.

Acabei com todas as outras formas de devoção, mas mantive o tempo para as orações, porque sou obrigado a isso. A minha única ocupação agora é perseverar na Sua santa presença. Faço isso dando ao Senhor simplesmente uma atenção amorosa. 

Atualmente tenho a experiência da presença de Deus. Para usar um outro termo, chamo a isso de conversa secreta de minha alma com o Senhor.

Frequentemente me perguntam: "O que você faz quando a sua mente se distrai com outras coisas?" Isso acontece algumas vezes quando é necessário ou quando estou enfraquecido. Mas o Senhor logo me chama de volta. Esse chamado acontece através de uma emoção interna ou de um sentimento, também interno, tão agradável e charmoso que fico até perdido e incapacitado de descreve-lo.

Não fique impressionado comigo pelo que eu estou contando. Você tomou conhecimento das minhas fraquezas, portanto lembre-se sempre delas. Sou totalmente indigno e não merecedor de tudo que o Senhor me concedeu.

Minhas horas de oração são exatamente iguais aos outros momentos do dia, para mim. Elas são uma continuação do mesmo exercício que tenho feito para obter a presença de Deus. Algumas vezes vejo-me como uma pedra antes de ser esculpida, pronta para que façam dela uma estátua. Peço a Deus que forme a Sua imagem perfeita em minha alma, tornando-me inteiramente igual a Ele. Outras vezes, enquanto estou orando, sinto que a minha alma e meu espírito se elevam, sem nenhum esforço da minha parte, para o centro de Deus.

Algumas pessoas disseram que este estado é fruto da minha inatividade, de ilusões e até mesmo do meu amor próprio. Concordo que é uma inatividade total e que seria um amor próprio feliz se a alma tivesse capacidade, nesse estado, para tê-lo. Mas agora, o oposto a tudo isso é que é verdadeiro. Quando a alma repousa em Deus não segue o seu comportamento usual de egoísmo; o seu amor é somente para Deus.

Eu não consigo olhar isso como uma "ilusão". Quando o meu eu interior está na presença do Senhor, deleitando-se com Ele, ele não quer nada mais a não ser o Senhor! Se é uma ilusão, cabe a Deus remediá-la.

Senhor, faça de mim o que achardes melhor. Eu só desejo ser totalmente devotado a Vós.


Extratos do testemunho do Irmão Lawrence (1611 - 1691), que viveu aproximadamente 55 anos na comunidade religiosa chamada Carmelitas. Esse irmão serviu na maior parte do tempo na cozinha do hospital. Tornou-se muito conhecido dentro da comunidade e depois fora dela, por sua fé tranquila e serena e por sua experiência da "presença de Deus".

Extraído do livro "A Prática da Presença de Deus" - da Ed.Danprewan

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Almejando ser Verdadeiro Adorador

"mas, assim como o Pai me ordenou, assim mesmo faço, para que o mundo saiba que eu amo o Pai." João 14:31

Vou abrir meu coração e comentar de que maneira eu vou até Deus. Tudo depende de uma renúncia sincera de todas as coisas sobre as quais você tem consciência de que não estão sendo conduzidas por Deus. Você tem de se acostumar a manter uma conversação que é simples e livre. Temos de reconhecer que Deus está sempre intimamente presente em nós e dedicar todos os momentos a Ele. Se tivermos alguma dúvida devemos pedir a Sua assistência para saber qual é a Sua vontade. E, nas coisas que sentimos que Ele está solicitando de nós, devemos ter um desempenho perfeito. Devemos oferecer todas as coisas a Ele antes mesmo de realizá-las, e agradecer quanto tivermos terminado.

Em nossa conversação com Deus, devemos mostrar que tudo o que fazemos é com a intenção de louvá-Lo e amá-Lo incessantemente, por Sua infinita bondade e perfeição.

Não devemos nos desencorajar por causa dos nossos pecados, basta orar e pedir que Ele nos conceda a Sua graça, confiando na infinita misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo. Deus jamais falha quando oferece a Sua graça e eu nunca deixo de perceber isso, a não ser quando meu pensamento se dispersa ou quando esqueço de pedir a Ele que me ajude.

Deus sempre nos dá luz para esclarecer as dúvidas, sobretudo quando Ele vê que não temos outro desejo a não ser o de agradá-Lo.

A nossa santificação não está condicionada a trocarmos o nosso trabalho, muito pelo contrário, basta que dediquemos a Ele todas as coisas que fazemos normalmente para nós mesmos. É lamentável constatar que muitas pessoas confundem os meios com os fins, dedicando-se somente a alguns de seus trabalhos. Elas não conseguem um desempenho perfeito por causa do egoísmo de seus propósitos humanos.

O método que encontrei para chegar à excelência na minha caminhada em direção a Deus foi o de realizar os trabalhos mais banais sem visar o interesse do homem e, quanto mais longe eu sou capaz de chegar, eu o faço puramente por amor a Ele.

É uma grande ilusão pensar que o momento de orar é diferente dos outros. Temos a obrigação de estar com Deus em todos os momentos, exatamente como estamos durante o período em que estamos orando.

Minhas orações nada mais são do que o reconhecimento da presença de Deus. Minha alma fica insensível a qualquer coisa que não seja o amor divino. Quando o momento de orar acaba, não há diferença para mim, pois continuo com Deus, louvando-O e abençoando-O com todas as minhas forças. Por isso, tenho vivido com uma alegria contínua. Espero que Deus me dê mais sofrimento para que eu me fortifique cada vez mais.

Não devemos nos desgastar fazendo pequenas coisas pelo amor de Deus, porque Ele não está olhando a grandeza do trabalho, mas, sim, a grandeza do amor com que ele está sendo feito. Se no começo falharmos no esforço de adquirir essa maneira de vida não devemos nos espantar, pois no final ganharemos um hábito que fará com que realizemos tudo, naturalmente, sem dificuldade e com grande prazer.

A essência da religião é simplesmente a virtude da fé, da esperança e do amor. Praticando isso, chegaremos a Deus. Todas as outras coisas não são importantes, são apenas meios para que possamos conseguir o nosso objetivo - para nos consumirmos em nossa união com a vontade divina, através da fé e do amor.

Tudo é possível para aquele que crê; é mais fácil para ele ter esperança e é ainda mais fácil amar e perseverar na prática das três virtudes.

Temos de nos propor a alcançar esse objetivo: nos tornarmos nesta vida os mais perfeitos adoradores de Deus (se é isso que desejarmos ser através de toda a eternidade).

Quando entrarmos para a vida espiritual, devemos considerar e examinar quem nós somos profundamente. Então, encontraremos a nós mesmos e veremos que somos até mesmo desprezíveis e que não merecemos o nome de cristãos. Estamos submissos a toda a espécie de misérias e acidentes que nos perturbam e causam mudanças frequentes em nossa saúde, humor e disposição, tanto internamente como externamente. Entretanto, não devemos achar que todos os problemas, tentações, oposições e contradições são provocados pelo próprio homem. Ao contrário, temos de nos submeter e suportar tudo isso pelo tempo que Deus achar necessários, porque só nos trará muitas vantagens.

Quanto maior é a perfeição que você aspira ter, mais dependente você fica da graça divina.


Extratos do testemunho do Irmão Lawrence (1611 - 1691), que viveu aproximadamente 55 anos na comunidade religiosa chamada Carmelitas. Esse irmão serviu na maior parte do tempo na cozinha do hospital. Tornou-se muito conhecido dentro da comunidade e depois fora dela, por sua fé tranquila e serena e por sua experiência da "presença de Deus".

Extraído do livro "A Prática da Presença de Deus" - da Ed.Danprewan